Despejados dois centros sociais ocupados em Bolonha

Anteontem (08/08/2017) foram despejados dois centros sociais ocupados em Bolonha

Traduzimos em baixo o comunicado de um dos centros sociais ocupados despejados Laboratorio Crash

"CRASH DE NOVO… POR QUALQUER MEIO NECESSÁRIO!

Esta manhã dois centros sociais ocupados em Bolonha foram despejados. O primeiro foi Làbas, que à noite circulou a voz da iminente recaída repressiva e convocou uma ação defensiva de solidariedade, e o segundo, o nosso, veio simultaneamente e debaixo dos olhos atónitos da vizinhança. Uma dupla repressiva que numa manhã arrancou à cidade dois espaços de autogestão e agregação. Pelo que se vê, a nossa história é longa e afunda as suas raízes na geração pós-G8 em Génova que em Bolonha decidiu de agregar e organizar-se no seio do antagonismo social e da política e cultura radical no Laboratorio Crash! que ao longo dos anos, a sucessão de diversas Juntas e administrações municipais recebeu em resposta à reivindicação de espaços autogeridos das entidades locais só recusa e repressão. A esta política securitária e autoritária nunca ficámos cabisbaixos, e despejo após despejo, confronto após confronto, continuámos sempre a ocupar espaços abandonados da cidade, sejam públicos, sejam privados, metendo-os ao serviço de um laboratório de política antagonista, de cultura radical e alternativa, de agregação juvenil e não só. E assim faremos na falta de resposta à forte vontade que exprime o nosso território de espaços ligados à prática da autogestão e da auto-organização.

Não se pretende fazer uma lista das atividades, dos laboratórios sociais, dos projetos culturais, e dos eventos de diferente índole que no curso de já 17 anos caracterizaram o nosso percurso, mas queremos anunciar que na falta de um espaço fechado de quatro muros e de um tecto, portaremos todo o nosso mundo ao centro da cidade, em cada praça, dia após dia, e a qualquer que seja a hora, juntos com tantas e tantos jovens, e menos jovens, que em diferentes modos participaram e atravessaram (n)a nossa iniciativa. Contudo, seja o centro, seja a periferia estão cheios de edifícios vazios inutilizados como o percurso da luta pelo direito a habitar já assinalou, e é agora justo que sejam dispostos às necessidades do território. Se os poderes municipais quiserem continuar a relacionarem-se com as experiências de ocupação e de autogestão através do uso do cassetete e polícia de choque, repetiremos, se agora não se quer, que decerto não nos façamos intimidar ou preocupar, tanta é a certeza de estar no justo, forte é a consciência de dar satisfação a vontades importantes que levam e pressionam (n)a nossa cidade. E assim será, ocupação após ocupação!

Este despejo do Lab. Crash concretizou-se através de uma antecipação de tutela (antes mesmo de poder se defender, a autoridade já determina o despejo, suprimindo todo o suposto resistente direito à defesa) decidida na magistratura no passado 4 de Agosto. A primeira decisão liminar emanada faz já quase dez anos que foi desfeita, vencemos o processo penal com absolvência de todas e todos os imputados, enquanto o processo civil era visto pelo oficial judicial como se tratasse de um despejo “normal”, o próximo acesso era datado para o 16 de Setembro. A propriedade, no fundo de especulação e investimento Prelios, recusou sempre a vontade de sentar-se à mesa sem garantia de qualquer representante municipal, e assim chegou-se ao despejo de hoje, ordenado pela Procuradoria, atuado por esta conjuntura policial, e possibilitada pela falta de empenho da administração.

Este é o mecanismo de governança que regula o território de Bolonha garantindo aos fundos de especulação imobiliária de arriscarem-se sempre demais, atropelando com grande violência o direito a habitar e subtraindo à cidade espaços reclamados de agregação social e cultural. Esta Bolonha não é a nossa, onde uma minoria garantida do PD (Partido Democrata) especula, esbanja e se arrisca, enquanto a outra, a maioria que ousa auto-organizar-se para poder desenvolver agregações, autogestão, e alternativas, é reprimida e agredida pelas forças de segurança. Nós fazemos parte de uma Bolonha indomável onde excluída/os, jovens, precária/os, operária/os sabem auto-organizar-se e dar batalha para não sofrer mais em silêncio abusos e prepotência do poder, e será esta cidade que na próxima semana irá à praça e às ruas numa nova temporada de conflito social.

Exprimimos solidariedade ao Labas despejado em simultâneo, e ao espaço social autogerido Xm24 sob despejo a quem não faremos faltar a nossa participação solidária. Saudamos os colectivos, os centros sociais, e associações de toda a Itália, Europa e África do Norte que estão mostrando solidariedade e saudamos com uma promessa que também parece faltar e mais vale dizê-la publicamente: não existe uma Bolonha sem Laboratorio Crash!, e é uma promessa que queremos manter todas e todos juntos e com qualquer meio que seja necessário.

Crash again…!"

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