[Beja] Para onde vão as pessoas que não têm para onde ir?

No bairro das pedreiras, em Beja, várias famílias a (sobre)viver em condições precárias estão em risco de ver o pouco e tudo o que têm reduzido a nada depois que a câmara municipal deu ordem de despejo (ao fim de anos) às familias , incluindo , com referência a meios coercivos e com imputação dos custos que os mesmos envolvem às pessoas despejadas. Já por sí sem recursos para se manter condignamente.

Uma comunidade que vive em habitações auto construídas (o nome oficial são habitações 'não clássicas') há já vários anos e que nunca tiveram qualquer tipo de proposta ou apoio para melhoria de vida.

Recentemente, a coligação comumente conhecida como "vodka laranja" (a coligação entre CDU e PSD) resolveu dar ordem de despejo a estas familias, sem contudo oferecer uma alternativa digna.

O prazo aproxima-se. Parcos haveres encontram-se no interior de paredes improvisadas. Nenhum BMW , Mercedes ou carro de alta celindrada à vista. Tambem não há nenhuma parabólica. Isto nas várias "habitações" em que vivem cerca de uma trintena de famílias.

Famílias constituídas por crianças , na sua totalidade a frequentar a escola , e jovens e adultos que frequentam cursos no IEFP. Hábitos que ficam em risco de se manter uma vez concretizados os despejos.

As famílias têm feito a sua parte. Numa ultima tentativa procuram o diálogo , apoiadas por várias associações ciganas e não ciganas , para que seja suspensa a ordem de despejo e se iniciem conversações reais com o objetivo concreto de solucionar o problema habitacional.

A enquadrar este pedido, uma resolução da assembleia da república com o número 48/2017, votada por unanimidade entre todos os grupos parlamentares (PSD e PC e PEV incluídos), que recomenda no ponto 8-c), que se “assegure que em caso de demolição de habitações degradadas, seja salvaguardada uma solução habitacional alternativa ou apoio social adequado para o efeito”.

Numa das paredes, é possível ver um cartaz que resume a angustia desta comunidade: "Para onde vamos?"

Seria uma historia digna de uma serie popular. Mas é a mais popular das historias das pessoas mais desfavorecidas, no lado mais fraco do binário de forças. No lado sem poder.

"Vemos, ouvimos e lemos
Não podemos ignorar"
Sophia de Mello Breyner

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